Wendell
- UM RITO DE PASSAGEM
Desde que surgiu, em 1999 – o moleque faz dez anos daqui a pouco -,
o Bandas Novas se configurou como um festival de caráter didático.
A logomarca com aquele bebê raivoso é perfeita, porque a grande
maioria dos grupos que se revezaram nos palcos do Tupi, da Praça
Antônio Carlos, do Free Hits, do Parque da Laginha, do Turunas, da
Academia de Comércio, da Escola Normal e nos outros locais que abrigaram
etapas do BN são formados por garotos e garotas que estão
arriscando seus primeiros acordes, recém-saídos das várias
escolas de música de Juiz de Fora ou de seus quartos e garagens,
autodidatas e famintos de rock.
Muitas bandas foram formadas exclusivamente para tocar no BN, várias
se aprimoraram dentro de algumas edições do festival, evoluindo
a cada ano e dando continuidade ao trabalho fora do evento, arriscando uma
carreira independente. Tantas outras acabaram assim que saiu o resultado
final daquela temporada. A experiência de ter passado por ali, no
entanto, fica com os músicos e é aproveitada por cada um deles
de forma particular. É o que o BN faz: forma. Forma grupos –
que talvez não tivessem outra expectativa além de se apresentar
para mais de três pessoas na garagem de casa, mas viram seus horizontes
se expandirem com a possibilidade de poderem tocar em praça pública
– e forma músicos. E estes músicos formam outras bandas.
Ganhador do primeiro BN, em 1999, o grupo de metal gótico Autumn
Flowers é exemplo de cria do festival. Segue firme na cena e é
respeitado como um das melhores bandas do gênero no estado. Mesmo
caso do Elevare, finalista em 2003, cujo disco de estréia sai em
2007, e do Thessera, que fechou contrato com a gravadora norte-americana
ProgRock Records, teve o álbum lançado em vários países
e agendou shows para diversos palcos da Europa. O Field é outro exemplo
de banda que nasceu e cresceu dentro do BN. Nem todo mundo continua, mas
quem se cria dentro do festival às vezes alça vôos maiores
fora de lá. O Fast Food, finalista em 2002, por exemplo, acabou,
mas forneceu o guitarrista André e o baterista Cadu para o Strike,
o mais bem-sucedido nome do rock de Juiz de Fora na atualidade, contratado
da Deckdisc e tocando nas rádios de todo o país.
O BN é sim um concurso, uma disputa entre grupos, mas vai além
disso. Incentiva a composição própria, é um
mecanismo de fomento à cultura, um empurrão naqueles músicos
que estão no começo de uma caminhada que pode terminar ao
final do último acorde do show de estréia ou perdurar como
uma microfonia da boa, ecoando por longo tempo nos ouvidos da audiência.
O que fazer com esta experiência inicial, este rito de passagem da
garagem para o palco, é problema de cada um – banda ou músico.
Só não pode é reclamar que a primeira chance não
foi dada.
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Jornal Tribuna de Minas - Domingo dia 13 de maio de 2007 - COLUNAS SEMANAIS
> FAIXA A FAIXA - Wendell Guiducci
Bandas Novas dá pontapé inicial
No próximo sábado, dia 19 de maio, será dado o pontapé
inicial para a edição 2007 do Festival de Bandas Novas. Este
ano, o evento bateu o recorde de inscrições: serão
105 bandas de 37 cidades e quatro estados. A produção ainda
foi obrigada a rejeitar o interesse de grupos de estados muito distantes,
como Tocantins, Pará, Alagoas e Rio Grande do Sul. Cada banda banca
suas próprias despesas de viagem e, segundo o produtor do Bandas
Novas, Adriano 66, seria injusto fazer com que estes grupos pagassem passagens
de lugares tão distantes para apresentar apenas três músicas.
Classificados, teriam de voltar e bancar novamente o transporte, o que resultaria
em um custo altíssimo para cada um deles. Dia 19, na abertura do
Bandas Novas 2007, será lançado o CD oficial do festival do
ano passado. As bandas que se revezarão a partir das 15h no palco
da Praça Antônio Carlos, onde acontecerão todas as eliminatórias
do evento, são: Rezzah, Left Behind (Dores do Campo-MG), Mary Ballofa
(Barbacena-MG), Full Time (Vassouras-RJ), Os Phorras, Patrulha 66, Rota
In Certa (Rio de Janeiro-RJ), Glitter Magic, Autssai (Rio de Janeiro-RJ),
Black Widow e Andromedas.