PROCESSO DE INFORMAÇÃO I - TURMA A
MARIANA FRANCISQUINI LAVORATO
MARINA ALVARENGA BOTELHO
EXERCÍCIO II

Um dos maiores eventos independentes de música alternativa da região, é o Festival de Bandas Novas. Esse ano as inscrições tiveram início no dia 1º de abril e serão suspensas assim que o número pretendido de bandas seja preenchido. Na eminência da décima edição do evento, procuramos um de seus organizadores, o músico e produtor Adriano66.

– De onde surgiu a idéia, a iniciativa de promover um festival de bandas alternativas independentes?

– Bom, como eu toco no Patrulha, é uma banda alternativa. Eu venho duma época em que era muito fechado o espaço, tinha que abrir à “marretada”. A gente tendo sempre que estar pedindo favores, se associando a pessoas para conseguir produzir alguma coisa. O Patrulha tem uma visão de dividir sempre o que a gente consegue, sempre visando uma parte mais comunitária. Se esse problema acontecia comigo, acontecia com as outras bandas também. Quando foi lá por volta de 1998, a gente resolveu fazer um festival grande, que reunisse mais bandas e num espaço em que pudéssemos premiar essa bandas com alguma coisa para ajudá-las. Começamos o festival com 23 bandas, em 1999, e premiamos com fotografias e uma gravação.

– Quais são as dificuldades em promover um projeto independente e filantrópico?

– A dificuldade é total. Juiz de Fora não investe. Acho que a cidade deveria arcar com a cena cultural e incentivar as pessoas a investirem na gente. É muito difícil levantar capital, não só pra música, mas pra tudo. O Bandas Novas é muito vitorioso não só em termos de filantropia, mas em termos de espaço para as bandas. A gente é meio tupiniquim, mas também não tem ilusão, sabe que o movimento musical nacional tem um monte de dificuldades.

– Segundo a sua perspectiva, qual a imagem que a sociedade juizforana atual tem desses jovens que optam pela cultura alternativa? Houve uma maior aceitação ao longo dos anos?

– Eles acham que a gente é um bando de “camisas pretas”. Pode ter certeza que esse visual é de rock and roll. É a imagem que muita gente têm do “roqueiro”, é difícil mudar. Por exemplo, o evento na praça [Pç. Antônio Carlos] pirou com a vizinhança, fomos expulsos do único espaço que a gente tinha pra fazer show. Mas eu acho que eles toleram bem a gente.

– Quais foram as principais mudanças que o cenário musical de Juiz de Fora sofreu ao longo desses dez anos de Bandas Novas?

– Antigamente o povo reclamava que no Bandas Novas dava muito metal. Com o passar dos dez anos a gente tem banda de pop, reggae, blues, progressivo, outros estilos. Agora é o que todo mundo reclama que nos finalistas, o que acontece: dá metal. Em nove anos a gente teve uma banda de pop-rock, o resto tudo foi metal. Porque o metal mostra serviço. O punk, infelizmente, ele não é igual o Ramones, que toca três notas e contagia todo mundo. O punk tem uma energia muito legal, mas ele não quer saber de ensaiar, ele quer fazer a “firula” dele lá. E é um festival de música, não de postura. Então, o juiz olha uma banda que está afinada, que está certinha, que sabe tocar. O metal tem isso. Além do movimento metal ser o maior em Juiz de Fora, setenta por cento é metal. Só que o hardcore, punk, punk rock, emo, agora estão investindo na praia deles. A gente abriu categorias pra incentivar esse trabalho, e também pra pop-rock e reggae, porque falta o reggae no festival, ele tem a ver, o movimento é bem ideológico.

– O que mudou na repercussão do evento quanto a apoio e público?

– Então, o publico teve altos e baixos. A esfera rock and roll aqui varia, porque existe uma reciclagem, porque as bandas tocam, mas como não chegam a lugar nenhum, elas definham e acabam. Mas como essa veia do rock and roll é muito forte, eles formam novas bandas e começam de novo. É um ciclo.

– O que é esperado para o festival desse ano?

– O que eu espero é o melhor possível! Ali [Espaço Mascarenhas] é um lugar pequeno. A gente vai fazer vídeos amadores, o som é pior, mas eles vão tocar mais baixo, vão ter uma experiência diferente. Vai ter iluminação, fumaça, essas coisinhas. Não é bem o que eu queria, mas a final pretendo fazer no Tupi.

– Quais os principais bairros e instituições foram beneficiadas pelas doações recolhidas nos festivais?

– Tem vários, o GEDAE, por exemplo, o Juizado de Menores, onde as crianças são tuteladas. Eu gosto muito de entregar lá no Sopão pra ajudar o povo de rua, os mendigos.

– Qual o envolvimento de vocês, organizadores, com a distribuição desses alimentos?

– Não, a minha função é divina, eu mando entregar. Acabou o show, o Juizado de Menores já passa de Kombi e já leva. Ou ligo para o GEDAE, os caras vão lá, buscam, as vezes eu ligo para o CAVE, que é um patrocinador legal, eles doam brinquedos ou alimentos.

– Qual o feedback social resultante dessa proposta?

Esse negócio de colocar o santinho do ladinho tipo: “Entregue pelo Festival de Bandas Novas”, é difícil. A gente faz a filantropia pela filantropia mesmo, até porque tem muitas outras pessoas que ajudam.

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