CENA ROCK -
Janaina Nunes
Por independência e visibilidade
Neste sábado, a cidade vai ferver com centenas de jovens de roupas
pretas se dirigindo a dois grandes eventos da cena rock local: o Balaio
Rock, que busca intercâmbio entre grupos com algum tempo de estrada
em Juiz de Fora e bandas de outras cidades, e o Festival de Bandas Novas,
que pretende descobrir novos talentos. Essa movimentação pode
refletir uma mudança na cena musical, mais especificamente entre
os grupos independentes, que têm se beneficiado com as novas regras
do mercado fonográfico. Nesse contexto, muitos artistas e produtores
vêm discutindo os rumos de músicos que estão fora do
circuito comercial e continuam em busca de alternativas de visibilidade.
Se, há cerca de dez anos, o caminho era conseguir um bom contrato
com uma gravadora de renome, que apostasse em um talento desconhecido e
investisse para que ele estourasse nas rádios, hoje o artista primeiro
precisa atrair a atenção - na maioria das vezes, por meio
da internet e da distribuição de cópias livres -, para
depois conseguir um contrato que ajude na divulgação do trabalho.
“Acredito que, de uns dois anos para cá, as pessoas estão
tomando consciência de que as gravadoras já eram, não
têm tanta força como antes, quando faziam tudo pelo artista,
produziam, gravavam, divulgavam. Hoje elas não passam de distribuidoras”,
acredita o produtor cultural e integrante da veterana Eminência Parda
Marcelo Panisset, que programa para o final do ano o lançamento de
uma coletânea de bandas locais.
Através da internet, é possível chegar rapidamente
a qualquer parte do mundo, o que dá melhores chances às novas
bandas de disputar a atenção do público. “Há
20 anos, existia a fita-demo. Hoje a divulgação se dá
direto pela rede de computadores, com qualidade muito maior. É o
momento. E as pequenas bandas têm que aproveitar esses canais baratos
e de boa exposição”, ressalta o baixista da Baranga
(SP), Ricardo “Soneca”, que se apresenta amanhã, no Balaio
Rock.
Independente, mas sem tempo pra criar?
Para muitos músicos, ser independente significa ter liberdade de
criação e poder controlar os próprios passos. Mas,
o que pode ser visto positivamente para alguns, para outros representa um
certo limite. Pois, para se promover de forma independente, o artista precisa
trabalhar em várias frentes, sobrando menos tempo para deixar fluir
a inspiração. “Ter que correr atrás de milhões
de coisas sem o apoio de uma empresa não é nada fácil”,
desabafa Deca, guitarrista da Baranga (SP). Outra desvantagem lembrada pelo
guitarrista Fil, da banda local Cadillacs, é que os artistas contratados
vêem uma porcentagem muito pequena do dinheiro da venda de CDs.
Em meio a toda diversidade do mercado musical, também há os
que insistem em se manter sozinhos, independente de qualquer contrato, como
a banda Verbase, de Ubá, há cerca de dez anos na estrada.
“Claro que seria lindo ter grana e estrutura. Mas acho que o principal
é ser sincero com seu som, manter-se independente mesmo, tocar o
que curte e não o que possa agradar às gravadoras. É
preciso ter identidade e, é claro, talento: coisa rara nos dias de
hoje”, desabafa o vocalista Anderson Badaró. A opinião
é compartilhada pelo vocalista da Glitter Magic, de Juiz de Fora,
Rhee Charles, que também vê com receio a exigência de
algumas gravadores, que impõem mudanças de estilo e acabam
deixando o artista na ‘geladeira’, à espera do melhor
momento comercial.
Parcerias
Para Wendell Guiducci, um dos principais caminhos no mercado alternativo
é fazer parcerias para intercâmbios entre bandas de diferentes
cidades. “É necessário que as bandas independentes trabalhem
juntas para que todas ganhem. O bom relacionamento com grupos de outras
cidades também é importante, porque o intercâmbio é
essencial para o aprendizado”. Ele ainda ressalta que os efeitos de
divulgação dos festivais são muito maiores do que shows
individuais. “Quando várias bandas se unem, uma acaba se beneficiando
do interesse do público pela outra”, resume.
Balaio Rock e Bandas Novas Em sua primeira edição, o Balaio
Rock é um festival criado para unir no mesmo palco o trabalho de
algumas bandas que vêm se firmando na cena rock de Juiz de Fora e
ainda promover um intercâmbio com grupos independentes de outras cidades.
E para dar o pontapé inicial ao projeto, os convidados para tocar
neste sábado são as bandas locais Martiataka, Glitter Magic
e Cadillacs, além dos forasteiros da Verbase, de Ubá (MG),
da Baranga, de São Paulo, e da Super Hi-Fi, do Rio de Janeiro. Os
shows serão realizados no Centro Cultural Bernardo Mascarenhas (CCBM),
a partir das 15h, e a previsão é de que cada apresentação
dure, em média, 40 minutos.
Abrindo espaço para grupos iniciantes, que muitas vezes estão
subindo em um palco pela primeira vez, o Festival de Bandas Novas também
terá a primeiro de suas duas finais neste sábado, a partir
das 14h, ao lado do CCBM, na Praça Antônio Carlos. Esta nona
edição do evento contou com mais de cem inscritos e, depois
de fazer cinco eliminatórias e uma semifinal, terá agora sua
primeira final. Na ocasião, 19 bandas serão avaliadas e, juntamente
com outras 19 que vão se apresentar na segunda final, semana que
vem (dia 1º de setembro), disputarão 18 vagas no CD oficial
e o título de melhor banda de 2007. A etapa deste sábado terá
abertura de Tuka’s Band.
Tanto o Balaio Rock quanto o Festival de Bandas Novas mantém páginas
na internet com perfil das bandas, fotos e MP3 para download, nos endereços
www.martiataka.com/balaiorock e www.festivaldebandasnovas.com.br. Afinal,
as parcerias na internet também costumam ser tão produtivas
quanto no palco. Para os que estão começando a divulgação
de trabalhos autorais é importante ficar de olho nos sites que permitem
envio de informações, fotos e músicas em MP3 para divulgação
e download (ver box).
www.myspace.com.br
www.tramavistual.co.br
www.purevolume.com
www.rockwave.com.br
www.bandasdegaragem.com.br
www.palcomp3.com.br
www.rocknews.com.br
www.wiplash.net
Fonte: Adriano Polisseni
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Jornal
tribuna de Minas - CADERNO DOIS - Janaína Nunes
Começa
hoje a grande disputa
Chegou a hora. A primeira das cinco eliminatórias que vão peneirar as semifinalistas do Festival de Bandas Novas acontece hoje, a partir das 14h, na Praça Antônio Carlos. Das 21 bandas que se apresentam, somente sete serão selecionadas para a próxima fase da competição. Quem for conferir, presenciará uma diversidade de estilos tendo o bom e velho rock’n’roll como carro-chefe, mas passando também pelo pop, punk, grunge, gospel e heavy metal. Todas as músicas são autorais, não sendo permitido a apresentação de covers.
Quase a metade das bandas inscritas é de Juiz de Fora. Sete são de cidades do Estado do Rio de Janeiro - sendo três da capital carioca -, e outras cinco, dos arredores mineiros, incluindo uma de Belo Horizonte. Cada grupo terá 25 minutos para fazer o seu show, contando o tempo de montagem e desmontagem dos instrumentos e da liberação do palco para o próximo concorrente.
Segundo o produtor
Adriano Polisseni, as regras servem para garantir o profissionalismo e ajudar
na eliminação. “Todas as bandas são muito boas,
então temos que avaliar também essas normas do regulamento.
Quem se atrasar ou ultrapassar o tempo de apresentação perde
pontos, e quem terminar em 20 minutos leva vantagens, recebendo um bônus
na pontuação”, explica. O evento termina impreterivelmente
antes das 22h,
respeitando a lei do silêncio, já que acontece em praça
pública.
As notas para os critérios de qualidade musical, execução, postura e afinação são dadas pelos juízes do festival, entre os quais estão representantes da Funalfa, da Patrulha Records, da rádio divulgadora do evento e do estúdio Caraíva Music. A competição inclui um total de 105 bandas, sendo que, a cada eliminatória, 21 subirão ao palco. Haverá uma repescagem no dia 28 de julho, e as semifinais acontecem dias 4 e 11 de agosto. A grande vencedora desta edição virá a público em data ainda a ser confirmada, entre 25 de agosto e 1º de setembro.
- Sábado,
das 14h às 22h, na Praça Antônio Carlos. Informações:
www.festivaldebandasnovas.com.br.
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Jornal tribuna de Minas - CADERNO DOIS - Juiz de Fora, sábado 19/05/2007
- Janaína Nunes
Abertura - Festival de Bandas Novas 2007
Nona edição começa hoje com recorde de inscrições.
A Praça Antônio Carlos volta a ser invadida pelo rock’n’roll
do Festival de Bandas Novas, que terá abertura de sua nona edição
neste sábado, a partir das 15h, já com motivo para comemorar.
O festival bateu recorde de inscrições, com 105 bandas participantes.
Onze estão convocadas para dar ao público uma amostra do que
está por vir nas cinco eliminatórias que acontecerão
nos meses de junho e julho. “Convidamos algumas bandas que estiveram
entre os finalistas no ano passado a também alguns veteranos. Fizemos
questão de escolher grupos de estilos variados, para mostrar a diversidade
do festival”, afirma um dos organizadores, o músico e produtor
Adriano Polisseni.
A festa também comemora o lançamento do CD da edição
2006 do evento, gravado e mixado no estúdio da Caraíva Music
de Juiz de Fora. O álbum duplo traz músicas inéditas
de 18 finalistas, além de gravações da banda Patrulha
66 - cujos integrantes são organizadores do festival - e de doze
grupos convidados. O projeto tem apoio da Funalfa, e o CD é distribuído
gratuitamente para divulgação.
O evento integra o calendário oficial da cidade e já se consolidou
como um espaço aberto para grupos alternativos de Juiz de Fora e
região, acolhendo também bandas vindas dos estados do Rio
de Janeiro e de São Paulo. Na tarde de hoje, sobem ao palco, nessa
ordem, Rezzah (trash metal, de JF), Left Behind (death metal melódico,
de Dores do Campo), Mary Ballofa (rock’n’roll, de Barbacena),
a campeã de 2006 Full Time (rock alternativo, de Vassouras), Os Phorras
(punk rock, de JF), Patrulha 66 (punk rock alternativo, de JF), Rota in
Certa (pop rock, do Rio), Glitter Magic (hard rock, de JF), Autssai (rock
alternativo, do Rio), Black Widow (heavy metal tradicional, de JF) e Andromedas
(hard rock, de JF). Cada grupo fará um breve show de aproximadamente
30 minutos.
Próximos passos:
O Festival de Bandas Novas terá cinco etapas eliminatórias,
marcadas para 9, 16 e 30 de junho, 14 e 21 de julho. No dia 28 de julho,
será feita uma repescagem geral, quando as bandas desclassificadas
podem ter uma nova chance. E as semifinais acontecem nos dias 4 e 11 de
agosto. A grande final ainda terá data confirmada, que provavelmente
deve ser 25 de agosto ou 1º de setembro.
O primeiro colocado leva para casa um prêmio de R$ 2 mil, além
de cem CDs demo com a gravação de sua música, e o melhor
guitarrista do festival ganha uma guitarra da Slide Instrumentos Musicais.
Os 18 finalistas participarão da gravação do nono CD
oficial “Bandas Novas 2007”, junto com Patrulha 66 e bandas
convidadas. Todos os detalhes da programação e arquivos das
edições anteriores podem ser conferidos no site www.festivaldebandasnovas.com.br.
- Abertura hoje, às 15h, na Praça Antônio Carlos.
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Jornal
Tribuna de Minas - 03/06/06 - Janaína Nunes - Repórter
Bandas
Novas - Vencer é o primeiro passo!
Eles investiram no sonho de fazer sucesso com uma banda, inscreveram-se
no Festival de Bandas Novas, passaram por uma série de eliminatórias
e saíram vencedores. Em sete edições do evento, dez
bandas tiveram a honra de conquistar o primeiro lugar - isso porque no ano
2000 houve empate de quatro - e, apesar de algumas trocas de integrantes
e até do nome do grupo, seis continuam na ativa. Com força
total, os músicos da antiga No Way, campeã em 2000 e atualmente
chamada Thessera, acabam de realizar mais um grande sonho. Eles lançaram
um álbum independente em março deste ano e já assinaram
contrato com uma gravadora norte-americana, a ProgRock Records.
“A seriedade do Bandas Novas faz com que os ganhadores acreditem na
qualidade da banda, e isso foi fundamental para continuarmos a batalhar
pelo nosso som”, declara o guitarrista da Thessera, Nando Costa. Satisfeito
em ver o sucesso dos vencedores, Adriano Polisseni, um dos organizadores
do festival, afirma se sentir muito feliz em ver crescerem as sementes lançadas.
“É muito legal vermos os grupos como Thessera e Field lançando
CD, o Stub emplacando uma música em rádios e, agora, essa
notícia do contrato com a ProgRock. Nos sentimos vitoriosos com eles”,
diz Adriano.
Primeiro lugar do ano passado, a Stub ainda aproveita a repercussão
da vitória. Na semana passada, a banda se apresentou na abertura
da oitava edição do evento, e, atualmente, trabalha na gravação
do primeiro CD, com composições e arranjos criados pelo vocalista.
Composta por Léo Zanetti (vocal) – que já havia sido
campeão do festival em 2002, quando integrava a Field – , Marlan
(baixo) e João Paulo (bateria), a Stub já tem uma música,
“Cold hands”, tocando em algumas rádios de Minas e do
Rio, antes mesmo do lançamento do álbum. “Ter ganhado
no ano passado nos garantiu maior aceitação na cena musical
da cidade e convites para tocar fora de Minas Gerais”, considera Zanetti.
Outra banda que desfruta os louros de ter sido eleita campeã é
a Field, que venceu em 2002 e ainda continua na ativa, trabalhando na divulgação
do CD “Becoming no one”, lançado há cerca de três
meses. O grupo já tem vários shows marcados para esse ano,
inclusive no Rio de Janeiro e em São Paulo. Para a Field, a vitória
teve um sabor especial, pois, além de ter ficado entre as dez melhores
em 2001, no ano em que venceu, a banda levou como prêmio uma vaga
para tocar no Festival Green Rock, ao lado de grandes nomes como Sepultura,
Raimundos e Tianastácia. De acordo com o baterista, Sidney Alves,
apesar das dificuldades de sobreviver com um som mais voltado para Europa,
Estados Unidos e Austrália, o que mantém a união dos
integrantes é o amor pela banda. “Estou nessa brincadeira há
dez anos e ainda mantenho o sonho de poder viver de música”,
declara.
Comendo pelas beiradas:
Trabalhando para o lançamento do primeiro CD, a veterana Autumn Flowers,
vencedora da primeira edição do Festival de Bandas Novas,
em 1999, também está com tudo, apesar de um pouco sumida dos
espaços mais badalados. A banda acaba de retornar de apresentações
no Roça’n’Roll, realizado em maio, em Varginha (MG),
e aguarda a veiculação de entrevista concedida à MTV.
Para o vocalista e guitarrista, Leandro Trombini, o grupo passou por uma
grande evolução de 1999 para cá, aperfeiçoando
a qualidade do som e tocando em várias cidades dos Estados do Rio
e de Minas.
“Vencer o festival foi só o começo, pois a partir daí
tivemos nossa música gravada na coletânea, começamos
a divulgar o grupo pela internet e até recebemos convites para tocar
em outros países.” Professor em uma escola de música
da cidade, Trombini conta já ter visto vários alunos seus
participando em edições do evento e considera a oportunidade
excelente para que bandas desconhecidas tenham a chance de ganhar nome e
conseguir shows.
Com redução dos integrantes e mudança de estilo, a
Freefall também continua no circuito. A banda ganhou o festival em
2000, com cinco componentes fazendo um som mais grunge e, hoje, funciona
com um trio de violão, percussão e vocal, tocando clássicos
dos anos 70 e 80, além de sucessos da atualidade em versões
personalizadas. A vocalista Natálie Mendes lembra que o grupo também
já havia participado em 1999, ficando em segundo lugar.
Atualmente
trabalhando em novas composições e produções
de arranjos, o baterista Wilker Grizendi, da banda Ex-therior, vencedora
de 2004, também conta que o grupo percorreu várias cidades
depois do festival e, agora, vive um período de “stand by”
por causa da gravidez da vocalista. Pelo que se tem notícia, as outras
quatro vencedoras que ainda não foram citadas não existem
mais como bandas. Integrantes da Dr. Froyd (2000) e da The Plague (2001)
continuam atuando na música, porém envolvidos em outros trabalhos.
Aliás, o músico Rafael Lamin, que integrava a The Plague no
ano em que a banda foi campeã, atualmente está na banda Thessera.
Em relação a Inerself (2000) e Facelles (2003), pelo que parece,
sumiram de vez.
Edição 2006:
Foi dada a largada para a oitava edição do Festival de Bandas
Novas, que conta com 66 bandas confirmadas, provenientes de 23 cidades diferentes,
incluindo Juiz de Fora, municípios vizinhos e alguns do Rio de Janeiro.
A primeira eliminatória está marcada para o dia 17 de junho,
e as outras para 1º, 8 e 15 de julho. As semifinais acontecem em agosto,
e a grande vencedora do festival será conhecida no dia 2 de setembro.
Todas as apresentações serão realizadas na Praça
Antônio Carlos, a partir das 15h.