CADERNO
DOIS - Entrevista/Adriano 66 - Nada de cover, nada de velho - Bruno Calixto
- Repórter
No ano de 1982, quando a ditadura militar começava a cair, os estudantes
de música locais Willian, Petrônio e Binho estavam manifestando
sua preferência pelo movimento punk, recém-nascido no país.
Graças a isso, o quarto elemento da turma, Adriano Polisseni, até
então sem o 66 no nome, liderou o time que, em 1983, assumiu-se como
banda, passando a ser chamado de Força Armada. Pouco tempo depois,
Polisseni abandonou a trupe para fundar o Patrulha 666.
O punk rock, protagonista da quebradeira das baladas dos mais ousados da
época, resultou no primeiro LP do grupo, “Escute bem alto”,
um nome sugestivo para o que estava por vir no cenário musical local.
Rock da Lajinha, Rock na Praça de São Mateus e Domingueira
Rock and roll no Thelonnius Bar foram propostas que levavam a assinatura
de Adriano Polisseni, que mais tarde, lançou também o disco
“Jack ninguém Kiss”, contando, acredite quem quiser,
com a versão rock da sertaneja “Pense em min”, de Leandro
e Leonardo.
Após colocar o álbum “Revolution” nas prateleiras,
em meados de 1990, o Patrulha perdeu um 6, ficando Patrulha 66, talvez,
como explica Polisseni, por causa da pressão do público contra
o número que evoca as forças do mal. E deu certo. Em 1997,
fazendo algumas experiências com metal, punk e rap, o músico,
que a partir de então passou a ser conhecido com Adriano 66, fez
a canção “Juiz de Fora, esta cidade é linda”,
que se transformou em projeto da Rede Globo e culminou com o lançamento
do CD “Não dê Mole!!”, em 1999, mesmo ano em que
o músico colocou, literalmente, na praça a primeira edição
do Festival de Bandas Novas.
Tribuna - Que bandas te influenciaram?
Adriano 66 - Bandas hard metal, como Iron Maiden, Black Sabbath, Manfred
Mann, Rush e Led (Zeppelin), além de bandas punks, como Dead Kennedys,
The Tubes e Sex Pistols. Um pouco de Beatles e, a grande paixão,
Ramones.
- Como era o cenário musical da cidade na década de 80? Compare
com o momento atual da musica na cidade.
- Nos anos 1980, a galera tinha sede de diversão. Aconteciam os grandes
festivais na cidade, o rock explodiu no Brasil em meados desta década.
A rapaziada dava valor à energia, à liberdade, à curtição,
ao movimento rock e valorizava a cena cultural local. Embora não
tivéssemos meios de divulgação eficientes, os shows
eram sempre bem freqüentados, e o visual e a influência gerados
nesta época se perpetuaram. Já, hoje, não sinto que
a galera valorize tanto a cena rock, talvez não por desinteresse,
mas por existirem centenas de opções que não eram disponíveis
nos anos 1980, trazidas pela globalização.
- O que gosta de ouvir hoje?
- Escuto tudo de rock. Do bom metal, hard rock e blues, a punk, hardcore
e indie. Algumas bandas, entre milhares que conheço, me chamam atenção,
como Arctic Monkeys, Alkaline Trio, The Pink Spiders, MxPx, The Kooks, Ramones,
The 69 Eyes, Hellacopters, Sun 41, The Rakes, The All-American Rejects,
Gim Blossoms, Snow Patrol, Supergrass, Audioslave, Franz Ferdinand, The
Bangkok Five, Stratovarius, Black Sabbath e Ozzy, Gothard, System of a Down,
Incubus e Fall out Boy.
- Como surgiu a idéia de lançar o Bandas Novas?
- O festival surgiu para proporcionar espaço a dezenas de bandas
que ensaiavam e a centenas de músicos que estudavam e não
dispunham de um lugar para tocar e ganhar experiência. Era necessário
gerar um movimento para que não perdêssemos o público
e os grupos que estavam nascendo. Já havia produzido mais de 15 festivais
no Parque da Lajinha, por isso chegou a hora de reciclar. Precisávamos
de mais espaço, mais oportunidades, o que o parque não concedia,
pois lá só podíamos realizar o evento duas vezes por
ano, e queríamos tocar mais, ter mais bandas conosco, oferecer mais
festas e mais cultura alternativa ao público.
Até este ano, já passaram pelo festival quase 700 bandas,
sendo que 190 participaram dos CDs. No ano passado, reunimos bandas de 25
cidades e três estados.
- Quais as expectativas para o festival deste ano?
- São muitas. A abertura para novos estilos deve diversificar e estimular
ainda mais a cena musical. Alguns estilos estavam ativos, mas o festival
não oferecia atrativos a eles. Este ano, vamos dar mais um passo
na era digital, tentando registrar, em vídeo, o festival para disponibilizar
na internet, além de colocar um telão para a galera acompanhar
as bandas durante as apresentações. É um ano de novas
experiências, em que tentaremos realizar o festival no CCBM, único
espaço disponível no município, o que é uma
pena, tendo em vista a efervescência cultural de nossa cidade.
- E a Praça Antônio Carlos?
- A praça se tornou inviável, pois as perturbações
e as reclamações dos vizinhos tiravam nossa tranqüilidade,
tão necessária para a execução do projeto. Uma
coisa que me agrada é a volta do recolhimento de alimentos na portaria.
A solidariedade e a assistência sempre foram a base do meu trabalho
e estavam esquecidas nas edições que rolaram na praça.
- Por que ampliar para outros estilos, além do heavy metal?
- O festival só tem esta postura metal, porque Juiz de Fora é
um grande centro deste estilo, mas existem outros, como punk, hardcore,
emo, pop rock, hard, blues e até mesmo progressivo, que também
merecem ser trabalhados e chegar ao conhecimento do público. Tem
muita coisa boa por aí, um universo riquíssimo, e os meus
objetivos são culturais, não posso me concentrar em um só
estilo. É sempre um desafio ter que criar algo novo a cada edição.
- Já tem novos planos para os próximos anos?
- Quanto ao que vem pela frente, prefiro deixar para pensar quando terminar
esta edição, assim acontecerão as adaptações
necessárias, e, quem sabe, teremos um novo formato.
- Até quando pretende liderar a organização do festival?
- Não sei. Faço o que gosto, e isso torna as coisas bem mais
fáceis e prazerosas. A cada ano, ganho mais credibilidade e experiência.
Mas espero que novas oportunidades apareçam.
- Que bandas da cidade têm potencial para crescer?
- Com certeza todas, sem exceção. Juiz de Fora é um
centro fortíssimo de cultura alternativa, o que falta é valorizar
e dar condições para que estes talentos apareçam.
- Como o Bandas Novas atua na formação de músicos?
- É um festival em que as bandas divulgam seu trabalho, sua música,
colocam à prova seus estudos, ensaios, criatividade, fazem contatos,
trocam experiências e ganham estrada. Eu costumo brincar que o festival
é uma das inúmeras disciplinas práticas do curso de
música.
- Existe um somatório de forças para estimular a criação
de bandas e composições na cidade?
- De empresas privadas que têm poder e condição de ajudar,
não tenho apoio nenhum. Parece que nosso movimento é invisível
aos olhos deles. Tenho apoio de grandes amigos, que gostam das minhas atividades
e entendem a importância de seu apoio, o que agradeço, pois
me ajudam desde o início. Já do poder público, sempre
tive grande reconhecimento de meu trabalho por todas as administrações.
- O festival sempre grava um CD com as bandas finalistas. Esse projeto continua
nessa edição?
- Sim, o CD na verdade é a grande premiação do festival
e a maior experiência da banda, por causa do estúdio. Mas,
nesta edição, o CD não será mais duplo com 30
bandas, optei pela realização de um CD oficial com 15 bandas
e o dobro na quantidade de exemplares para serem distribuídos, ou
seja, mais divulgação.
- Na sua opinião, o CD vai sobreviver aos apelos da internet e outras
tecnologias?
- Realmente não sei, tenho minhas dúvidas. Tudo hoje acontece
muito rápido, e a internet vai, com certeza, ganhar cada vez mais
espaço. No passado, o domínio das gravadoras e dos meios de
comunicação ocultaram muita gente boa, centralizando o poder.
Praticamente uma ditadura. Hoje, graças a Deus, mudou. A Babilônia
está caindo, e, se não chegou, está por vir!
- Como você vê o mercado para os músicos hoje?
- Vejo tudo acontecendo muito rápido, difícil até de
acompanhar, mas vejo com otimismo, novos horizontes e oportunidades surgindo,
e quem realmente se dedicar vai se dar bem. Por outro lado, a qualidade
será cada vez mais exigida, devido à grande quantidade de
grupos.
- Qual é o estilo mais promissor na cidade e no país? Por
quê?
- Não existe estilo mais promissor, existem ondas. Às vezes,
o cenário está mais para quem toca pesado, outras vezes, para
quem toca romântico ou para quem tem mais suingue. O importante é
que existe chance para todos, basta trabalhar, acreditar e inovar.
- Que caminhos os novos músicos devem tomar para ganharem a estrada?
- Devem participar mais da cena, produzir e gerar oportunidades que possam
beneficiar a outros, ensaiar bastante, exercitar a sua criatividade, ter
muita disposição e acreditar nos seus ideais. Sem sonhar,
não somos nada!
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Funalfa
– Assessoria de Imprensa - Bruno Calixto
Bandas
Novas e a saga dos novos
Quando Adriano
“66”, junto com Markim “66”, resolveu apostar no
sonho da nova geração musical local, Juiz de Fora passou a
ser o berço do maior festival independente de Minas Gerais. De 1999
para cá, o encontro atraiu mais de 500 bandas e cerca de cem mil
pessoas. Incansável parceira do projeto, a Prefeitura de Juiz de
Fora/SPS, por meio da Funalfa, não poupa esforços para promover
a integração dos novos sons com o público. Sem dúvidas,
esta é mais uma realização que casa com a proposta
da administração do prefeito Alberto Bejani em apoiar as diferentes
manifestações culturais e artísticas.
Integrando o calendário oficial da cidade, o Festival de Bandas Novas
abre espaço para grupos alternativos de rock, metal, pop, pop-rock,
punk rock, blues, hardcore, rock and roll, progressivo e reggae, executando
também intenso trabalho social, educativo e filantrópico,
através da arrecadação de alimentos para famílias
e instituições carentes. Pátio de escola, agremiação
de samba e praça foram alguns dos palcos onde os novos artistas deram
o primeiro passo.
Inscrições
A 9ª edição do Bandas Novas abre suas inscrições
até 05/05, para todos os interessados, mesmo aquelas que já
participaram em anos anteriores. Para se inscrever, basta acessar a página
do Festival: www.festivaldebandasnovas.com.br ou ir à Rockmania,
na Galeria General Roberto Neves, loja 222 (2º piso). A taxa é
de R$45,00 ou R$40,00 e 1 kg de alimento não perecível, que
sra doado para Fundação Joana de Angelis de JF e para o Grupo
Casa SolidariedAIDS.
Como rola
Marcada para 19/05, a abertura contará com a presença de 13
grupos convidados e o lançamento do CD duplo, contendo o som dos
18 finalistas de 2006. Serão realizadas quatro eliminatórias,
uma repescagem e duas semi-finais, quando serão selecionadas 18 bandas
para a grande final, no dia 01/09. As etapas acontecerão sempre aos
sábados, de 14 às 22h, na Praça Antônio Carlos.
A vencedora, além de receber a quantia de R$2 mil, levará
100 copias do CD demo da Prensa CD´s, gravado com os finalistas no
Estúdio Caraíva Music. O melhor guitarrista, dentre os que
se apresentaram na final, será premiado com uma guitarra da Slide
Instrumentos Musicais.
O criador
Músico, cantor, instrumentista e produtor do grupo Patrulha 66, Adriano
“66” Polisseni é presença ativa no circuito cultural
desde 1984. No currículo, “66” guarda mais de dois mil
shows e diferentes projetos e atividades sociais, educativas e beneficentes
como Rock Laginha, Rock no presídio e Quem toca cover ta fora!, entre
muitos outros.
Agora é só preparar a banda, passar o repertório, e soltar a emoção!